Nottingham Guardian - Após chegar aos EUA, Flávio Bolsonaro se declara "líder do Brasil"

Após chegar aos EUA, Flávio Bolsonaro se declara "líder do Brasil"
Após chegar aos EUA, Flávio Bolsonaro se declara "líder do Brasil" / foto: Ricardo Arduengo - AFP

Após chegar aos EUA, Flávio Bolsonaro se declara "líder do Brasil"

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou nesta quarta-feira (28) ser o "líder do Brasil" após deixar o país com a família rumo aos Estados Unidos, onde afirmou que comandará a oposição depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil", escreveu o senador de 45 anos, que chegou a um aeroporto nos arredores de Miami a bordo de um jato particular após uma fuga cinematográfica que incluiu uma passagem pela Argentina.

Flávio não reconheceu a derrota no segundo turno realizado no último domingo contra Lula. Ele estava impedido pela Justiça, a pedido da Polícia Federal, de deixar o país devido a uma investigação por lavagem de dinheiro.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele saiu na frente no primeiro turno das eleições, mas seu adversário conseguiu uma virada inesperada, após uma extensão do horário de votação solicitada por ambos os candidatos. Menos de 35 mil votos foram registrados nessa prorrogação.

"Os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania", acrescentou Flávio Bolsonaro em um comunicado publicado no X.

Lula venceu com uma vantagem de mais de quatro milhões de votos e Flávio, que já era alvo de diversas investigações, foi intimado a entregar seus passaportes.

Inicialmente, o senador afirmou que não deixaria o país e lideraria a oposição, que obteve um resultado expressivo no Congresso.

No entanto, saiu do país na terça-feira, seguindo primeiro para a Argentina e, posteriormente, para os Estados Unidos, com uma escala no Equador na madrugada desta quarta-feira.

A decisão provocou surpresa até entre aliados, que ficaram sem uma liderança definida no início de um novo ciclo político.

- Agradecimentos a Milei e Trump -

Em sua mensagem, Flávio Bolsonaro agradeceu a colaboração do presidente argentino, Javier Milei, aliado de sua família, e também a intervenção do americano Donald Trump, cujo governo concedeu vistos a ele, à esposa e às duas filhas em poucas horas.

Trump, que havia recebido Flávio na Casa Branca em maio, evitou endossar a proclamação. "Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver", declarou a jornalistas.

"Acho que eles foram tratados de forma muito injusta. Eu não me posicionei sobre a eleição, como vocês sabem, mas quando vejo algo inadequado, eu digo", acrescentou.

- Visto de negócios -

Flávio Bolsonaro entrou nos Estados Unidos com visto da categoria B1, destinado a viagens de negócios, segundo registros da polícia de fronteira consultados pela AFP. A permissão vale até 4 de janeiro.

Segundo a imprensa argentina, o ex-candidato presidencial teria entrado na Argentina utilizando um passaporte italiano. Ele possui a nacionalidade desde 2023, de acordo com um documento do Parlamento italiano consultado pela AFP.

A oposição argentina exigiu explicações do governo Milei sobre o suposto auxílio à fuga, inicialmente negado pelas autoridades.

Seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, vive nos Estados Unidos desde 2023 e também é investigado pela Justiça brasileira. Eduardo já havia aconselhado Flávio a deixar o Brasil caso não vencesse a eleição.

- As queixas do senador -

Lula, que completou 81 anos na terça e conquistou um inédito quarto mandato, classificou como "vergonhosa" a fuga do adversário.

Na mensagem divulgada de Miami, Flávio Bolsonaro detalhou o que considera irregularidades no segundo turno da eleição.

"Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas", queixou-se.

Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro haviam solicitado a extensão do horário de votação. A decisão foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, que já atuou anteriormente como advogado de Lula.

"Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado", afirmou Flávio.

Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de 71 anos, cumpre prisão domiciliar. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentar um golpe de Estado contra Lula, após o petista vencer as turbulentas eleições de 2022.

T.Murray--NG