Nottingham Guardian - Lula celebra reeleição histórica e mal recebida pelos mercados

Lula celebra reeleição histórica e mal recebida pelos mercados
Lula celebra reeleição histórica e mal recebida pelos mercados / foto: Miguel SCHINCARIOL - AFP

Lula celebra reeleição histórica e mal recebida pelos mercados

Líderes da América Latina e de potências mundiais, com exceção de Donald Trump, saudaram, nesta segunda-feira (26), a histórica reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mal recebida pela Bolsa de São Paulo, que suspendeu as negociações devido a uma queda acentuada.

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Lula, de quase 81 anos, reverteu de forma surpreendente uma eleição que parecia caminhar para a vitória de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com 51,8% dos votos, Lula conquistou um quarto mandato que lhe permitirá consolidar o Brasil como um reduto da esquerda em uma região que, em sua maioria, tem se voltado para a direita.

O mercado reagiu com ceticismo: a Bolsa de São Paulo suspendeu as negociações por 30 minutos nesta segunda-feira, antes da abertura oficial, devido a uma forte queda das ações.

A cotação do dólar disparou 12%, atingindo 5,60 reais.

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, afirmou que solicitará a anulação do pleito, no qual obteve 48,2% dos votos, alegando uma "quebra total de isonomia entre os brasileiros", após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin ter estendido o horário de votação em duas horas.

A medida foi adotada depois que Lula denunciou problemas no transporte público que dificultaram a votação em cidades como Salvador e São Paulo; a decisão também atendeu a um pedido de Flávio Bolsonaro, fundamentado na ocorrência de "chuvas intensas" em alguns municípios.

A negação dos resultados lembra a reação de seu pai em 2022. Jair Bolsonaro nunca reconheceu sua derrota para Lula no segundo turno daquele ano. Mais tarde, foi condenado a 27 anos de prisão por uma tentativa de golpe de Estado contra o esquerdista.

- Apoio histórico -

Os números dimensionam a vitória de Lula.

Em sua sétima disputa presidencial, ele obteve mais de 64,2 milhões de votos, um número nunca registrado no país.

Em um segundo turno com uma abstenção de 19%, menor do que no primeiro, ele reverteu uma desvantagem de 2,2 milhões de votos em relação a Bolsonaro e passou a superá-lo por 4,4 milhões.

Também houve queda no número de votos nulos e brancos.

"Devo esta vitória à juventude rebelde que se levantou em defesa da democracia", disse Lula à noite, quase sem voz, cercado por uma multidão na Avenida Paulista, em São Paulo.

Lula alcançou outro resultado fundamental: reverteu a derrota sofrida no primeiro turno em Minas Gerais, um estado agroindustrial que, historicamente, funciona como um termômetro eleitoral.

Para o analista político Thomas Traumann, parte de seu sucesso deve-se à rejeição que a possibilidade de um novo governo de extrema direita provocava.

Foi "a vitória do medo à volta do Bolsonaro", disse à AFP.

"Estou feliz da vida. Acho que a gente conseguiu derrotar uma ameaça muito difícil", comemorou Maira de Mello Cabral, uma psicanalista de 42 anos, no Rio de Janeiro.

- Anulação? -

Flávio Bolsonaro afirmou que é "impossível reconhecer o resultado", cercado por jovens com milhões de seguidores nas redes sociais que se recusam a aceitar a derrota.

Para o cientista político Oliver Stuenkel, "a diferença de votos foi bastante considerável", por isso "será muito difícil" para o candidato "convencer os eleitores de que o resultado se deve a uma fraude eleitoral".

Lula venceu Jair Bolsonaro há quatro anos por uma diferença de apenas 1,8 ponto percentual, equivalente a 2,1 milhões de votos. Em 8 de janeiro de 2023, os bolsonaristas lideraram um movimento golpista que invadiu as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Um dos maiores desafios que Lula terá pela frente em seu mandato, que vai até 2030, será negociar com a Câmara e o Senado, onde a direita reforçou sua presença. Os presidentes das duas casas reconheceram sua vitória.

- Aliados de peso -

Aliados de peso do Brasil, como China e Rússia, celebraram a vitória de Lula sobre o filho de um aliado de Donald Trump.

O presidente americano afirmou, antes da apuração dos votos, que estava "acompanhando" a eleição, mas não se manifestou após o resultado.

Durante a campanha, Lula o acusou de tentar se intrometer na eleição, e a empresa americana Meta de "interferência" a favor de Bolsonaro.

Na região, líderes de direita próximos a Washington, como os presidentes do Chile, Colômbia, Peru, Paraguai e Bolívia, saudaram a eleição do ex-líder sindical, assim como fizeram países europeus, como França e Alemanha.

O presidente argentino, Javier Milei, aliado próximo de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, se manteve em silêncio.

M.Scott--NG