Nottingham Guardian - Iêmen lança represália contra houthis; Paquistão e Turquia apoiam sauditas

Iêmen lança represália contra houthis; Paquistão e Turquia apoiam sauditas
Iêmen lança represália contra houthis; Paquistão e Turquia apoiam sauditas / foto: Mohammed Huwais - AFP

Iêmen lança represália contra houthis; Paquistão e Turquia apoiam sauditas

Tropas do governo iemenita, apoiadas pela Arábia Saudita, lançaram uma ofensiva para retomar território nas mãos dos houthis, aliados do Irã, enquanto Turquia e Paquistão anunciaram, nesta segunda-feira (5), a mobilização de forças no reino saudita como parte de um pacto de defesa.

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O conflito no Iêmen foi reativado em julho, após anos de trégua, e ameaça o abastecimento global de petróleo em um momento no qual as reservas mundiais se encontram em um nível baixo.

As forças do governo do Iêmen reconhecido internacionalmente, apoiadas pela Arábia Saudita, anunciaram, nesta segunda-feira, o lançamento de uma ofensiva "estratégica" contra a capital, Saná, que há anos está nas mãos dos houthis.

Os militares iemenitas disseram que realizaram mais de 1.000 ataques e iniciaram uma ofensiva contra a capital controlada pelos houthis, Saná, enquanto a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo reconhecido internacionalmente, afirmou que 100 aviões de guerra realizaram missões aéreas ao amanhecer.

Em resposta, os houthis advertiram que o espaço aéreo saudita não é mais seguro para a aviação civil porque será "cenário de operações" de suas forças armadas, embora tenham excluído desta advertência as cidades santas de Meca e Medina.

Horas depois, fortes explosões estremeceram o norte da capital saudita, Riade.

Um correspondente da AFP afirmou que foi ouvida uma "explosão potente" no norte da capital, um estrondo que também foi ouvido por moradores de uma área próxima ao aeroporto internacional Rei Khalid. Um morador disse que "as janelas de sua casa tremeram" com a detonação.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou sua preocupação com a "forte escalada" dos combates no Iêmen e condenou os ataques dos houthis do outro lado da fronteira, em território saudita.

A Turquia e o Paquistão anunciaram que farão uma "mobilização rápida" de tropas na Arábia Saudita como parte de uma nova aliança de defesa, sem especificar que função os militares mobilizados desempenhariam.

- Inquietação com as reservas de petróleo -

O chefe do Conselho Presidencial do Iêmen, Rashad al Alimi, anunciou no domingo o lançamento de uma ofensiva destinada a recuperar a totalidade do território, nomeada "Amanhecer do Iêmen".

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita informou, nesta segunda-feira, que se soma à ofensiva para dar "apoio aéreo 24 horas por dia às forças armadas iemenitas no terreno", declarou seu porta-voz, Turki al Malki.

A coalizão assegura, ainda, "a proteção aérea do Estreito de Bab el Mandeb", estratégico para o comércio marítimo internacional.

Em setembro, os houthis reforçaram seu controle sobre esse estreito, cuja importância aumentou depois que o Irã impôs fortes restrições à navegação no de Ormuz, do outro lado da península arábica, no âmbito da guerra no Oriente Médio.

Mais tarde nesta segunda, a coalizão anunciou um ataque contra "alvos" do braço armado dos houthis em Hodeida, onde fica o principal porto do Iêmen sob controle do grupo pró-iraniano.

O porta-voz informou no X que suas forças navais tinham "destruído depósitos de armas, instalações onde eram armazenadas embarcações com armadilhas explosivas e minas navais e que tinham "frustrado um plano de ataque" contra vias navegáveis no sul do Mar Vermelho.

Além da ofensiva no Iêmen, os houthis também atacam com regularidade a Arábia Saudita, suas infraestruturas petrolíferas e suas embarcações.

Uma fonte do setor energético da Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, informou que um ataque executado no domingo no leste do reino e revindicado pelos houthis provocou a interrupção do transporte de petróleo pelo oleoduto Leste-Oeste.

Através deste oleoduto, a Arábia Saudita leva petróleo do leste do reino ao Mar Vermelho, evitando o Estreito de Ormuz.

O ataque contra esse oleoduto entorpece ainda mais o abastecimento mundial de petróleo, cujas reservas estão "perigosamente" baixas, advertiu, nesta segunda, o diretor da empresa petroleira saudita Aramco, Amim Nasser.

- "Vamos morrer nesta cidade" -

Segundo o porta-voz das forças governamentais, Majid al Nazili, suas tropas tomaram o controle do aeroporto de Dhubab, cidade próxima ao Estreito de Bab el Mandeb, e interromperam uma rodovia que leva à cidade portuária de Moca, sem conseguir tomar a posição dos houthis.

No entanto, uma fonte militar do movimento pró-iraniano, citada pela agência de notícias dos houthis, negou o avanço.

No domingo, os houthis cortaram um eixo crucial que liga Taiz, grande cidade do sudoeste que agora mantêm sitiada, a Áden, onde o governo reconhecido internacionalmente tem sua sede.

Apesar dos avanços dos houthis, alguns moradores asseguraram que permanecerão na cidade para defendê-la. "Não podemos deixar a cidade. É impossível para nós ir embora. Vamos ficar e morrer nesta cidade", disse à AFP Fahmi Ahmed Ghaleb.

Segundo a ONU, os combates obrigaram mais de 184 mil pessoas a deixar suas casas.

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L.Bohannon--NG