Nottingham Guardian - EUA anuncia acordo nuclear civil com Arábia Saudita

EUA anuncia acordo nuclear civil com Arábia Saudita
EUA anuncia acordo nuclear civil com Arábia Saudita / foto: Brendan Smialowski - AFP/Arquivos

EUA anuncia acordo nuclear civil com Arábia Saudita

Os Estados Unidos anunciaram, na quarta-feira (22), um acordo com a Arábia Saudita para estabelecer um programa nuclear civil no país do Golfo, mas os críticos temem que possa abrir caminho para o enriquecimento de urânio e uma corrida armamentista nuclear.

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O acordo ocorre enquanto os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, travam uma guerra contra o Irã, iniciada em grande parte devido às preocupações com o programa nuclear de Teerã, tema central das negociações de paz que atualmente se encontram estagnadas.

Espera-se que o acordo gere bilhões de dólares para empresas americanas e é considerado uma grande vitória para a Arábia Saudita — rival regional do Irã —, pois concede ao país acesso à tecnologia nuclear sem exigir a normalização das relações com Israel.

No entanto, críticos insistem que o acordo, cujo texto não foi divulgado de imediato, pode desencadear uma corrida armamentista nuclear em uma região já devastada pela guerra.

Uma cláusula do acordo poderá prever que empresas americanas construam uma usina de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, segundo informou o Wall Street Journal. O Departamento de Energia americano não mencionou essa cláusula e nem comentou o assunto após consulta da AFP.

Para Allison Minor, diretora do Projeto de Integração do Oriente Médio do Atlantic Council, Washington envia uma advertência a Teerã em meio a negociações paralisadas, enquanto simultaneamente recompensa um aliado fundamental que começou a desconfiar das garantias de segurança americanas.

"Ao manter a porta aberta para o enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, o acordo nuclear envia uma mensagem poderosa a Teerã", afirmou ela.

O Congresso deverá analisar o acordo, mas é pouco provável que o Legislativo, controlado pelos republicanos, atrase sua implementação.

"Trump alega que sua guerra contra o Irã visa impedir que um país autoritário enriqueça material nuclear", escreveu o senador americano de esquerda Bernie Sanders no X.

"Agora ele está permitindo que seus melhores amigos na Arábia Saudita — uma das ditaduras mais brutais do mundo — façam exatamente isso. É absurdo", acrescentou.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que "qualquer acordo" que assinarem "com qualquer país do mundo sobre energia nuclear civil terá salvaguardas para garantir que não possa ser transformado em um programa de armas".

A Arábia Saudita, assim como o Irã, defende seu direito de desenvolver um programa nuclear para fins civis. No ano passado, o país assinou um pacto de defesa mútua com o Paquistão, potência dotada de armas nucleares.

- Preocupações com a proliferação -

Os Estados Unidos firmaram, em 2009, um acordo nuclear com os Emirados Árabes Unidos, embora esse país não enriqueça seu próprio urânio.

Em maio, um drone atingiu um gerador, provocando um incêndio nas proximidades da usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, a única instalação desse tipo existente no mundo árabe.

O secretário americano de Energia, Chris Wright, minimizou as preocupações com a proliferação nuclear e insistiu que o acordo atende aos interesses econômicos e estratégicos de Washington.

"Podem ter certeza de que esses acordos cumprem os mais elevados padrões de segurança nuclear e de não proliferação e que se baseiam na melhor tecnologia e nos melhores cientistas nucleares do mundo, desenvolvidos aqui mesmo nos Estados Unidos", afirmou em comunicado.

Jennifer T. Gordon, diretora da Iniciativa de Política de Energia Nuclear do Atlantic Council, comemorou o acordo como uma "vitória para os Estados Unidos diante da Rússia e da China".

"A Arábia Saudita deixou claro que comprará tecnologias de energia nuclear e implementará um programa nuclear civil; a única questão era se o reino optaria por trabalhar com os Estados Unidos e seus aliados ou se recorreria à Rússia ou à China", afirmou.

T.Murray--NG