Trump condena ataque israelense contra Beirute e garante que acordo segue próximo
Donald Trump disse que um ataque israelense contra Beirute "não deveria ter acontecido", após provocar um forte protesto do Irã que colocou em dúvida a promessa do presidente americano de que um acordo de paz será assinado neste domingo (14).
No entanto, o ataque não parece ter destruído completamente as esperanças de se alcançar um entendimento, já que ambas as partes indicaram que os canais de diálogo permaneciam abertos, e Trump insistiu que um acordo continuava "muito próximo".
Teerã reiterou repetidamente que qualquer texto para encerrar a guerra deve incluir o conflito paralelo no Líbano, onde Israel conduz uma campanha contra o movimento Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Mas, após dias anunciando um possível acordo, o ataque deste domingo nos subúrbios do sul de Beirute — um reduto do Hezbollah — levou o principal negociador iraniano a questionar o sentido das conversas de paz.
O ataque israelense "demonstrou mais uma vez que os Estados Unidos não têm vontade de cumprir seus compromissos ou não têm capacidade para fazê-lo", disse Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma mensagem na rede X.
"Se você não tem vontade ou capacidade de cumprir seus compromissos, então é inútil falar em continuar por esse caminho", acrescentou.
Trump, que já anunciou sem sucesso acordos iminentes em várias ocasiões, disse após o bombardeio israelense que o pacto continuava ao alcance das mãos e instou as partes envolvidas a não "estragá-lo".
"Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo o Líbano, e todas as partes devem agir com moderação", disse o magnata em sua plataforma Truth Social.
"Não deveria haver mais ataques israelenses em nenhuma parte do Líbano, mas também não deveria haver ataques de nenhuma outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel (...) Não vamos estragar tudo!", afirmou.
"O ataque desta manhã contra Beirute não deveria ter acontecido, particularmente em um dia especial", acrescentou, possivelmente em referência às suas esperanças de uma assinatura neste domingo, dia de seu 80º aniversário.
O general de brigada iraniano Mohammad Jafar Asadi disse neste domingo que o último ataque israelense "não ficará sem resposta".
Enquanto isso, o Exército israelense afirmou que estava "se preparando para possíveis ataques" contra seu território.
— "Via do diálogo" —
Em sinal de uma possível saída diplomática, o presidente do Irã disse no domingo que o principal órgão de segurança do país apoiava as negociações apesar das críticas dos setores mais radicais.
"O Conselho Supremo de Segurança Nacional concluiu que se deve seguir o caminho do diálogo", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse que não esperava que o ataque israelense "interrompesse" os avanços rumo a um acordo.
"Pelo que sei, estamos no caminho certo", afirmou. "Não é uma questão de saber se acontecerá, mas quando."
Uma delegação do Catar, outro dos países mediadores, encontrava-se neste domingo em Teerã "para ajudar a facilitar a conclusão do acordo", indicou à AFP um diplomata com conhecimento da situação.
A agência de notícias iraniana Fars, citando "uma fonte próxima à equipe negociadora do Irã", informou que o Irã estava transmitindo sua posição detalhada à equipe catariana.
"Mesmo que todos os pontos de vista do Irã sejam incorporados, nenhum acordo será assinado dentro do prazo anunciado por Trump", declarou a fonte antes do ataque israelense.
— Pontos de atrito —
As partes em conflito divulgaram informações contraditórias sobre o conteúdo do texto.
Teerã insistiu que manterá o controle do estratégico Estreito de Ormuz, mas os Estados Unidos reiteraram que isso seria inaceitável.
Desde que impôs um bloqueio ao estreito no início da guerra, o Irã passou a exigir que os navios obtenham autorização antes de atravessar a via marítima e criou um novo órgão para supervisioná-la e cobrar pedágios.
Os Estados Unidos responderam com seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse na sexta-feira que o acordo em discussão exige o levantamento do bloqueio americano.
Outro ponto-chave de atrito nas negociações é o programa nuclear iraniano, particularmente sua reserva de urânio altamente enriquecido, que se acredita ter sido enterrada por bombardeios americanos no ano passado.
Teerã sustenta que seu programa nuclear é pacífico, mas os governos ocidentais suspeitam que o país busca fabricar uma bomba.
Araghchi declarou na sexta-feira que a única maneira de lidar com o urânio enriquecido do Irã "é diluí-lo dentro do Irã".
Trump, que justificou a guerra como necessária para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, havia dito anteriormente que qualquer acordo deveria levar ao "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e permitir a recuperação do material para destruí-lo e retirá-lo do país.
Sobre o urânio enriquecido, Trump assegura que Washington irá buscá-lo no Irã "no momento oportuno" e que ele será diluído e destruído "seja no Irã ou nos Estados Unidos".
D.Gallaugher--NG