Futebol inglês teme 'graves consequências' diante de caso do City, que se defende
A Federação Inglesa (FA) teme "graves consequências para a integridade do futebol" pelo caso do Manchester City, que nesta sexta-feira (2) anunciou ter recorrido da sentença de culpa por numerosas infrações financeiras, cujas sanções ainda não foram divulgadas.
Por meio de uma comissão independente encarregada de analisar o caso, a Premier League declarou, na terça-feira, o Manchester City culpado de "graves" infrações financeiras entre 2009 e 2018, em particular por ter inflado artificialmente suas receitas e reduzido seus custos em mais de 900 milhões de libras (6,2 bilhões de reais).
A comissão determinou que o clube havia ocultado a verdadeira situação de suas finanças, afirmando que o City estava "claramente em descumprimento dos limites de gastos tanto da Premier League quanto da Uefa".
"O clube é inocente das acusações apresentadas pela Premier League e existe um conjunto completo de provas irrefutáveis que respaldam sua posição neste caso", indicou o Manchester City em um comunicado, detalhando que o recurso foi apresentado na noite de quinta-feira.
"A posição firme do clube é que, por diversos motivos, o parecer contém claros erros materiais, de direito, de princípio e de fato, e não é confiável", acrescentou a equipe.
Mas a FA teme que o assunto tenha grandes repercussões em todo o sistema do futebol inglês e assegurou que está "analisando cuidadosamente a decisão [da comissão] e suas implicações".
O City, que sempre negou as acusações, ainda desconhece as sanções às quais está sujeito e que serão divulgadas em uma data não especificada.
A equipe do norte da Inglaterra, de propriedade do xeque Mansur bin Zayed Al Nahyan, membro da família real dos Emirados Árabes Unidos, corre o risco, no pior cenário, de perder vários títulos e de ser excluída do campeonato.
- Repercussões para além do futebol -
O caso ultrapassou os limites esportivos. O governo britânico recordou na quinta-feira que o City não está "acima das regras", após as críticas recebidas pelo primeiro-ministro e ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, por suas declarações sobre o caso.
"Agradeço ao City Football Group e, de forma mais ampla, aos proprietários pelo dinheiro que investiram não só no (estádio) Etihad e no campus ao seu redor, mas também na cidade", declarou à BBC o trabalhista, que governou a cidade do noroeste da Inglaterra de 2017 até junho de 2026.
"Eu ficaria muito preocupado se eles fossem embora. Eles têm sido um grande parceiro na transformação de Manchester", respondeu ao ser questionado se temia que os proprietários decidissem vender o clube.
O vocalista do Oasis e grande torcedor do City Liam Gallagher também saiu em defesa do seu clube em uma mensagem publicada nesta sexta-feira no X.
"Todo esse ódio direcionado ao MAN CITY por parte de outros clubes deveria ser direcionado ao ARSENAL, MAN UTD, LIVERPOOL. Eles é que são corruptos e tentam impedir que outros times ganhem coisas, não o MAN CITY; nós tentamos ajudar todo mundo, somos como Jesus, preparados para morrer na cruz", escreveu o cantor.
A Etihad Airways, companhia aérea emiradense e principal patrocinadora do City, rejeitou o veredicto da comissão, negou ter participado de "acordos comerciais irregulares" e afirmou que está considerando tomar medidas legais contra a Premier League.
Outro fator a ser levado em consideração é a possível avalanche de pedidos de indenização por parte de clubes rivais do City. Christian Purslow, ex-diretor-geral do Liverpool, declarou à BBC que os clubes "vão fazer fila para reivindicar compensações".
Após a Data Fifa, o time agora comandado por Enzo Maresca voltará a campo em 11 de outubro, em Anfield, contra o Liverpool, seu grande rival esportivo na última década.
T.M.Kelly--NG