Multidão de venezuelanos comemora na Flórida a queda de Maduro
Uma multidão de venezuelanos se reuniu neste sábado (3) na Flórida para celebrar a notícia que aguardavam havia anos: a queda do presidente Nicolás Maduro, cuja captura foi anunciada pelo presidente Donald Trump durante a madrugada. Eufóricos, eles agora esperam um futuro próspero para seu país após uma longa crise política e econômica.
Desde antes do amanhecer, centenas foram se reunindo em frente ao Arepazo, um restaurante popular de Doral, cidade vizinha de Miami onde mais de 40% dos moradores são de origem venezuelana.
"Acordamos com a grande notícia de que finalmente alguém havia feito justiça, e isso nos encheu de felicidade", diz Douglas Zarzalejo, venezuelano de 55 anos que vive há 11 na Flórida. "Começou a recuperação do nosso país".
Muitos estavam enrolados em bandeiras venezuelanas, com vontade de cantar e se abraçar após a prisão do homem a quem culpam em grande parte pela deterioração da Venezuela. Entre eles, um jovem agitava um cartaz com a mensagem "Trump was right about everything [Trump tinha razão em tudo]".
Em Doral, numerosos venezuelanos elogiam o presidente americano, que anunciou a captura de Maduro durante uma operação em Caracas e sua transferência para os Estados Unidos, onde enfrentará a Justiça por acusações de narcotráfico e terrorismo.
"Trump vai entrar para a história como o primeiro presidente que finalmente enfrentou esses tipos corruptos que haviam sequestrado nosso país", afirma Zarzalejo.
— "Se fez justiça" —
Em frente ao Arepazo, Liz Vivas chora ao lembrar do marido, Wilmer Muñoz, um funcionário venezuelano crítico do governo Maduro que, segundo ela denuncia, foi feito desaparecer pelas autoridades em julho de 2018.
"Não sei nada dele e [a queda de Maduro] é uma alegria muito grande. Não pude enterrá-lo, não pude vê-lo, mas graças à queda de Maduro consigo respirar um pouquinho. Sinto que se fez justiça", acrescenta essa venezuelana de 39 anos.
Pouco depois das 11h00 locais, quando Trump fala a partir de sua residência em Mar-a-Lago, cerca de 110 km ao norte de Doral, as centenas de venezuelanos se calam e se concentram em seus celulares para ouvir sua intervenção.
O presidente declara que os Estados Unidos "governarão" a Venezuela até que haja uma transição "pacífica" e esfria um pouco o ânimo dos presentes ao afirmar que seu secretário de Estado, Marco Rubio, esteve em contato com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez.
Ele também semeia confusão ao acrescentar que a líder opositora María Corina Machado, adorada entre a diáspora venezuelana e fiel apoiadora de Trump, "não conta com apoio nem respeito dentro de seu país".
Trata-se de uma declaração surpreendente, já que Washington e grande parte da comunidade internacional sustentam que o verdadeiro vencedor das eleições de 2024 foi o opositor Edmundo González — que substituiu a inelegível Machado —, apesar de Maduro ter se proclamado vencedor.
"María Corina é a nossa presidente. Não temos outra representação que não seja ela", diz, categórica, Liz Vivas.
— "Um sentimento misto" —
Para alguns venezuelanos da Flórida, a incerteza sobre o futuro ofusca um pouco a euforia pela queda de Maduro.
"Não sei o que vai acontecer. Trump acabou de dizer que a vice-presidente [Delcy Rodríguez] é dele. Ele está louco. Todo mundo quer María Corina", garante Eleazar Morrison, venezuelano de 47 anos. "Eu não confio em Trump, mas sou extremamente grato", resume.
Raúl Chávez, venezuelano de Miami, ficou preocupado com o discurso do presidente americano.
"É um sentimento misto. Eu realmente quero a liberdade da Venezuela, mas também quero a independência da Venezuela, e esperamos que possa haver uma transição ou um governo venezuelano eleito", afirma.
D.Gallaugher--NG