Nottingham Guardian - Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA após perder eleições, diz imprensa

Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA após perder eleições, diz imprensa
Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA após perder eleições, diz imprensa / foto: SILVIO AVILA - AFP/Arquivos

Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA após perder eleições, diz imprensa

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu do Brasil com destino aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial para Lula (PT), apesar de uma ordem judicial que o impedia de deixar o país, informaram nesta terça-feira (27) veículos de comunicação americanos.

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Sem confirmar a viagem de Bolsonaro, o governo de Donald Trump anunciou que concederá vistos ao candidato derrotado e à sua família, segundo uma fonte diplomática sob condição de anonimato.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não reconheceu sua derrota eleitoral após o segundo turno de domingo contra Luiz Inácio Lula da Silva.

Trump é aliado da família Bolsonaro e denunciou na segunda-feira que as eleições brasileiras haviam sido "fraudadas".

Flávio Bolsonaro afirmou no mesmo dia que a Justiça - por meio de uma ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - o havia proibido de deixar o país em uma "tentativa de intimidá-lo".

O senador é investigado por suposta corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai, entre outras investigações em andamento.

Segundo a CNN, que cita uma fonte oficial anônima, Flávio Bolsonaro estava a caminho da Flórida após deixar o Brasil.

Washington "emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá sua entrada nos Estados Unidos", afirmou a alta autoridade do Departamento de Estado.

Uma fonte policial informou nesta terça-feira à AFP que os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos, foram cancelados.

No entanto, ele possui cidadania italiana desde 2023, conforme consta em um documento de 2025 do Parlamento italiano consultado pela AFP.

No Brasil, as notícias sobre sua partida causaram perplexidade entre seus aliados.

"Não temos ainda notícia sobre seu paradeiro", disse a jornalistas em Brasília seu chefe de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).

"Nós tentamos contatar o Flávio (...) e recebi por parte dele uma mensagem de texto onde ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto. Foi a única comunicação que eu tive com ele", acrescentou.

- "Nunca pensei em sair do país" -

Ao denunciar na segunda-feira ter sido proibido de deixar o país, Flávio Bolsonaro descartou qualquer intenção de partir.

"Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração", disse em um vídeo.

Afirmou ainda que pretendia liderar a oposição ao governo de Lula.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado federal, está radicado nos Estados Unidos, onde atua como interlocutor junto ao governo Trump.

Eduardo disse, na semana passada, em um podcast americano, que era favorável a que seu irmão deixasse o Brasil caso não vencesse as eleições, por causa das investigações judiciais contra ele.

Após perder as eleições, Flávio Bolsonaro afirmou que pediria a anulação do segundo turno, argumentando que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas beneficiou Lula.

O presidente, de 81 anos, venceu o segundo turno com quase 52% dos votos, contra 48% do conservador, uma diferença de mais de 4 milhões de votos.

- Seguindo os passos do pai -

Flávio era o favorito para vencer o segundo turno, após ter saído na frente no primeiro.

Ele havia prometido que, caso vencesse, sua primeira medida de governo seria libertar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar aplicar um golpe de Estado contra Lula após perder as eleições de 2022.

Jair Bolsonaro, que assim como seu filho também não reconheceu sua derrota eleitoral, partiu para os Estados Unidos na véspera da posse de Lula. Ele voltou ao Brasil três meses depois.

Paralelamente, o ministro do STF Flávio Dino determinou nesta terça-feira que a Polícia Federal investigue um possível financiamento estrangeiro à campanha do senador.

Dino solicitou a investigação da "eventual origem, circulação e destinação de recursos estrangeiros" e de outras formas de suposta interferência eleitoral, como "manipulações" em redes sociais, segundo a decisão consultada pela AFP.

Durante a campanha, Lula acusou Trump de tentar interferir nas eleições e denunciou a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, de prejudicar sua campanha na divulgação de conteúdo online.

A Meta admitiu erros técnicos, mas negou as acusações.

R.Ryan--NG